Ernesto Patrízio de Castiglione




Conde Ernesto Patrizzio di Castiglione



Uma biografia publicada em 1876 garante-nos que Ernesto Patrízio de Castiglione e Scagnello era um verdadeiro conde com brazão de armas e registo visado e referendado na Chancelaria Italiana, terá sido isso que disse ao jornalista. De facto existiram uns condes de Castiglione e a condessa em particular ficou famosa devido ao seu gosto por ser fotografada. Mas um mágico tem carta branca para mentir, porque é sua profissão. Ele nasceu em 1845 numa localidade em Piamonte, Savigliano. Seu pai, um nobre proprietário, mandou Ernesto estudar no Colégio militar de Milão e mais tarde na Academia de Turim, chegando este a tenente de artilharia com apenas 18 anos. Em 1866 deixou a vida militar. A sua vocação seria outra, pois ainda estudante já deixava admirados os colegas com os truques que fazia com moedas, piões, berlindes e maçãs.

Há uma conhecida história que pode ter sido inventada ou não que diz ter-se alistado Patrízio, com 18 anos, como oficial de artilharia e ter entrado na guerra, sendo capturado na Austria e aprisionado numa fortaleza e aí encaminhado para os trabalhos comuns. Mas ao fazer sortes de ilusionismo para os seus colegas, os oficiais austríacos e o governador tomaram conhecimento e levaram-no a actuar nos salões da fortaleza, onde ficou a trabalhar, mais como convidado que como prisioneiro. Depois com o fim da guerra foi libertado e resolveu fazer da magia a sua profissão, iniciando digressão. Esta história deu-se também com o célebre Bartolomeo Bosco o que enfraquece a sua credibilidade.

Foi por 1866 que se estreou no teatro Carignano de Turim num espectáculo benefícente. Depois ele percorreu as cidades italianas durante seis anos, como profissional, e em busca de conhecimentos, viajou ao Egipto, Turquia, Baviera, Suiça e Bélgica, gastando dinheiro, ao mesmo tempo que criava a convicção que todo o ocultismo, incluindo o espiritismo que se debatia então em acesas polémicas, não passavam de prestigiação. Assim dando tom às suas cultas palestras, apresentou-se em Paris, estreando perante uma plateia de jornalistas e críticos, no teatro do Salon Taitbout, no dia 23 de abril de 1875. O exigente público ficou tão impressionado que o jornal La Liberté publicou um artigo com o título "Um bruxo no século XIX", onde tecia elogios aos trabalhos insólitos de Conde Patrízio e dava uma lição sobre o que era a mágica moderna e como ela podia desmascarar o charlatanismo espírita. 

Descreve alguns dos números de Patrízio que dizia não terem paralelo com os de outros prestidigitadores de Paris: « Vimos um crâneo animado, uma cabeça de morto que falava, uma mesa que se levantava, uma jovem dotada de extraordinária memória, e por último vimos Patrízio atravessar-se pelo estômago com uma fita encarnada com muitas varas de comprimento, queimar um lenço e tirá-lo intacto das cinzas, fazer desaparecer entre os seus dedos objectos reltivamente volumosos ». .

O autor da biografia refere que em seguida Patrízio deu, e cita "quarenta e cinco" representações consecutivas nas "Les Folies Bergère", finalizando a série com um benefício a favor das vítimas das inundações do Mediodia. Depois percorreu durante meses algumas províncias francesas e embarcou para o Brasil. No Rio de Janeiro, Patrízio fez bastantes actuações, realizando muitos lucros e sendo premiado pelo imperador D. Pedro II que assistira aos espectáculos, com um anel de brilhantes. Em Buenos Aires o triunfo do artista juntou-se com o brilhantismo do cavalheiro de sociedade. Um jornal de 22 de dezembro de 1875 escreve que ele apresentava os seus jogos com graça e elegância sem nunca assumir uma postura tenebrosa de mago dotado de poderes misteriosos. Ao contrário, explicava que o sobrenatural era um mundo de anedota que obedecia às leis da ciência e não às dos espíritos. Os argentinos admitiram nunca ter recebido tão distinto artista. Mas a sua visita foi breve pois Patrízio tinha deixado na Europa a sua jovem e bela esposa, a condessa Rita Gall.

Estreou em Madrid, a 13 de julho de 1876, com uma sessão para a imprensa e convidados, tendo como acompanhante o "célebre principe negro Ben Ali" que era, pode supor-se, um ilusionista americano negro representante da "escola americana" que terá conhecido algures. Aunciaram 15 sessões pelo menos, para os dis seguintes, com números variados e incomuns de pseudo-espiritismo e magia geral que muito agradaram. No dia 18 próximo futuro estreou a condessa Rita Gall de Patrízio. 

No dia 31 de agosto de 1876, estrearam no Gran Teatro de Córdoba a « Companhia Nigromântica de Thaumaturgia humorística dirigida por Conde Ernesto Patrízio de Castiglione. – Programa: Os últimos esforços da Thaumaturgia. (...) experiências de alta prestidigitação, segundo as últimas inovações da escola americana. Althotas, o mago oriental; O Crâneo animado (elucubração nocturna do Conde Cagliostro, primeiro ensaio, espírito magnético. Nicolás Flames [sic] e o seu século. (Lucificações de nigromância transcendente, segundo a história dos iluminados, (...) A mesa giratória, efeitos obtidos com forças desconhecidas atribuidas ao espiritismo (alta novidade) executada 50 vezes em Paris ». 

Um anúncio verdadeiramente nigromântico. No dia 3 de setembro estreou a Sra. Condessa Rita Gall de Patrizio, apresentando a sua memória prodigiosa, baseada no famoso truque das 40 palavras que faria a fama de gerações de magos espanhóis e italianos, uma ninharia nos dias de hoje. Estreou também o "príncipe negro Ben Ali" com as suas experiências de "magia africana": « O chapéu de Satanás; Os nós indianos;  O ladrão sem saber-lo; O invulnerável; os segredos do Marabut;  Os anéis de Plutão ». Este ilusionista acrescentava variedade ao show de Patrízio. No fim apresentaram uma lanterna mágica, o « Caleidoscópio gigante, com vistas dos principais museus europeus  ».  

O elegante casal participou noutros notáves eventos e despediu-se cerca de dia 11, seguindo para Cádiz e outras cidades. Como aconteceu com muitos ilusionistas do século XIX, Patrizio fez o circuito ibérico e passou por Portugal para novamente embarcar para o Brasil. Apresentou o seu espectáculo em Lisboa e Porto em 1876, no Teatro de D. Maria II, onde deu duas representações, e no circo de Price, para onde foi recambiado. Actuou no Teatro de S. João do Porto mas Patrizio teve pouca sorte pois apanhou um tempo péssimo de chuva e trovoadas. Daqui seguiu para a América do Sul, regressando anos depois.

« Está no Porto o afamado nigromante, conde Ernesto Patrizi de Castiglione, o émulo do conde de Cagliostro, com a diferença apenas que este fazia ouro e aquele ganha-o licitamente pelos seus trabalhos de nigromância, taumaturgia humorística e prestidigitação. O conde de Castiglione dá unicamente duas sessões, nas quais patenteará maravilhas, coisas do arco da velha, como se dizia antigamente... ».

« Apresentou-se ontem ao público em S. João o conde Ernesto Patrizio de Castiglione, que não sabemos se descende de outro conde de igual título falecido desastrosamente no dia do consórcio da finada duqueza de Aosta, em 1864. Seja como for, deixemos estas dúvidas a genealógicos versados e com paixão pela arte, e vamos ao que é real. O apregoado conde, nos trabalhos que ontem apresentou, mostrou-se prestímano vulgar e palavroso, obtendo contudo aplausos as suas nigromâncias, novas pelo menos nos títulos com que vinham mencionadas nos programas. Amanhã faremos mais detida crónica. Concorrência numerosa nas plateias e escassa nos camarotes ». 
 



Patrízio regressou a Espanha em 1882. Em fevereiro e março apresentou o seu novo programa com os números "esqueleto animado" e "espelho negro" entre outros, no teatro Principal de Valência, e tal como tratara com o espiritismo, explicava agora a natureza fictícia do magnetismo, acompanhando com demonstrações. Apresentou ainda os "quadros dissolventes" do "Caleidoscópio gigante", uma lanterna mágica. Em abril, em Cádiz, a jovem "magnetizada" era a sua esposa Condessa D. Rita. A imprensa andalusa ironizou com os títulos de nobreza de Patrízio e a sua fama neste país suscitou a criação de pequenas comédias satírizando as suas actuações, o que, tal como sucedeu com Herrman e outros, denotava a sua importância. Eles atuaram no Teatro Principal. Em 19 de abril de 1883, em Barcelona, associou-se com D'Alvini, um malabarista, tendo viajado juntos para a América do Norte. Segundo a Magicpedia, Patrizio tornou-se famoso na América do Norte com a execução do número de apanhar uma bala disparada de um canhão, coisa que muitos anunciaram fazer mas ninguém fez, senão já no século XX quando se dispôs de tecnologia bastante. Disseram que foi contratado por P. T. Barnum e que isso trouxe-lhe fama e dinheiro.

Em janeiro de 1889 "el aplaudido ilusionista Conde Ernesto Patrizio de Castiglione" apresentou-se em Gerona e trabalhou junto com o "capitan Blanch", um prestidigitador catalão. Em agosto e setembro actuou em Madrid e depois em Córdoba. Em 19 de fevereiro de 1891 estreou em Almeria e depois Lisboa no « Real Coliseu de Lisboa. Hoje, apresenta-se pela primeira vez, o conde Ernesto Patrizio de Castiglione, o mais extraordinário prestímano dos nossos dias. É coadjuvado nos seus trabalhos por mademoiselle Anita Marty. Dá apenas dois espectáculos, hoje e amanhã ». A Sra. Rita Gall já não é mencionada. Deu uma cómica e apreciada cena de “sillouettes”, sombras chinesas, e como em 1889, apresentou "arte negra" ou "Milagres da Natureza" e algo escrito "transformismo". No fim apresentou um “fusilamento” e o "Poliorama"... e assim foi renovando novos contratos.

« Atendendo ao enorme sucesso alcançado pelo conde Patrízio e acedendo a reiteradas instâncias a empresa conseguiu que o afamado prestidigitador se apresentasse em mais três espectáculos no Real Coliseu, executando novas sortes que lhe grangearão, bem como à formosa senhorita Marty, um novo triunfo. O espectáculo de hoje é dedicado às damas, tendo cada espectador um lugar gratuito para a dama que o acompanha. O programa é novo e apresenta três experiências que têm obtido enorme êxito no estrangeiro: "No mundo dos espíritos, a caveira falante, a mão do defunto e o armário misterioso »

E novamente no Porto: «Theatro Infante D. Afonso: Brevemente debutará o célebre transformador da época o conde Patrizio Castiglione que apresentará ao público os seus mais notáveis trabalhos de alta prestidigitação auxiliado pela senhorita Anita Marty (...) e a sua companhia ilusionista. O conde Patrizio já é conhecido do público portuense, que muito o aplaudiu há anos no teatro de S. João, quando ele nos visitou a primeira vez. Este artista há pouco chegado da capital, obteve ali enorme sucesso no Real Coliseu. Aqui, cremos, sucederá o mesmo”.

Na Argentina, onde Patrízio fez lenda, contam-se umas curiosas histórias, segundo as quais ele por lá teria ficado noivo, em 1906 ou 1907 e que a coisa se revelou desastrosa, seguida de um desfalque monetário que o fez fugir para a Europa, refugiando-se em Barcelona, onde teria falecido. Realmente o óbito de Conde Patrizio de Castiglione foi registado em Barcelona mas 15 anos antes, corria a meio o mês de novembro de 1891. Ou este caso é anterior a esta data ou refere-se a outro personagem. Como escreveu um autor argentino: «Não fossem a imaginação e as histórias e a vida seria muito aborrecida. É por isso que existe a tradição oral; o problema é que a documentação desarma as melhores histórias». Sim, mas também acontece que os documentos vão aparecendo ao longo do tempo e a verdade histórica vai-se ajustando. Todos os grandes artistas da magia teatral tiveram os seus imitadores e Patrízio não foi excepção  Em setembro de 1903 apareceu em Madrid um "Conde Patrízio" que não era espanhol e que teve uma desastrosa apresentação, sendo apupado pelo público. O Conde Patrízio de Buenos Aires, em 1907, pode bem ter sido um imitador.








ZEJU









Conde Patrizio, el mago que hipnotizó a Mendoza



Fue uno de los más grandes ilusionistas del mundo. Llegó a la provincia con un show que despertó ovaciones. “Es un verdadero diablo”, dijo la crítica de la época.


Carlos Campana

las2campanas@yahoo.com.ar

En noviembre de 1887, gran parte de los mendocinos quedaron conmovidos al ver las publicidades en las calles y en la prensa de la llegada del famoso ilusionista y prestidigitador, Conde Patrizio de Castiglione, quien realizó dos funciones en el teatro Municipal de la ciudad. Tan curiosa fue aquella presentación que quedó grabada a fuego en la memoria de los presentes...

¿Quién era el conde Patrizio?

Se llamaba Enrique Patricio, conde de Castiglione. Se sabe muy poco sobre sus datos biográficos, pero desde muy joven se dedicó a la magia y al ilusionismo. Viajó por todo el mundo y visitó por primera vez la Argentina en 1875. En ese año, realizó un duelo de magia con otro famoso ilusionista llamado Nicolay. La prensa porteña publicitó este acontecimiento con bombos y platillos. A principios de 1885 estuvo de gira en España con su compañía y un tiempo después llegó a Buenos Aires, para seguir hacia el interior de nuestro país y luego hacia Chile.

Conde Patrizio está considerado como uno de los magos e ilusionistas más importantes de todos los tiempos, como Fu Manchú, el mago Nicolay, Fassmann el ‘Hombre Radar’, Príncipe Misterix, Fantasio, el Gran Faluggi y, por supuesto el más grande de todos los grandes, Harry Houdini.

Un noche mágica

Al llegar la noche, cientos de personas se agolpaban en la entrada del teatro Municipal para ver al mago e ilusionista Conde Patrizio. La expectativa era muy grande entre el público que estaba haciendo fila a las puertas del teatro. Los más rezagados se bajaban de los coches y súbitamente trataban de ocupar un lugar en la cola. Se podía apreciar a varios personajes de la sociedad mendocina que charlaban haciendo el comentario de la presentación. Las puertas del establecimiento se abrieron y los parroquianos comenzaron a acceder al interior y se sentaron en los palcos y demás lugares.

En el escenario se podía ver algunos auxiliares de Conde Patrizio, quienes acomodaban diferentes elementos para el espectáculo del mago. Detrás del escenario había un telón totalmente negro.

Faltaban pocos minutos para iniciar la función y se podía sentir las voces en toda la sala, hasta que se anunció la presentación de Conde Patrizio.

De repente hizo su aparición el gran mago, vestido de frac negro con camisa blanca y moño del mismo tono, lo acompañaba una chistera muy brillante y un bastón.

Comenzó haciendo grandes trucos con los naipes de póquer. Luego le pidió a un espectador que subiera al escenario y lo ayudara. Anunció que adivinaría con su poder mental cuáles cartas tenía el ayudante. Inmediatamente comenzó a adivinar cada una de ellas. El público aplaudió con ganas. Posteriormente, ejecutó otros pases de magia con cajas en las que aparecían conejos. Todos quedaron sorprendidos. Hacía desaparecer y aparecer todo tipo de objetos. Los ojos de los mendocinos no podían creer lo que estaban viendo. Lo mejor estaba por venir: con un magnetismo increíble pudo hipnotizar a un espectador; esto colmó a los que se encontraban en la sala.

Cuando la función terminó, la mayoría del público salió en estado de conmoción. Un cronista escribió: “El conde Patrizio de Castiglione es un verdadero diablo, un brujo consumado”
.


Transcrito com a devida vénia de:

http://www.losandes.com.ar/noticia/estilo-249658






Leyenda del Palacio Embrujado de Belgrano


Se dice que el barrio más maldito de Buenos Aires es Belgrano.






En la esquina de Luis María Campos y José Hernández, en los inicios del pasado siglo, se construyó el llamado «Palacio de los Leones», una excentricidad de un italiano muy rico que estafó a mucha gente con falsas jubilaciones antes de que existiera en el país un sistema de retiro. Era una construcción con reminiscencias medievales, rodeada de jardines y un pórtico con dos leones, de ahí el nombre del lugar.

Cuando el italiano desapareció tras la estafa, la mansión fue subastada y la adquirió el Dr. Teófilo Lacroze, hijo de Federico. Se desconocen las razones, pero los Lacroze la abandonaron enseguida, y la tapiaron. Allí comenzaron los rumores de quejidos y ruidos extraños, chistidos al pasar y una mujer vestida de celeste que se asomaba por entre la vegetación casi selvática que había invadido el parque e incluso salía a la vereda. Empezó a correr el rumor de que había muerto uno de los serenos y entonces ni siquiera los policías se atrevían a vigilar. Años después, el castillo fue demolido. En su lugar se construyó un importante edificio de departamentos, pero aún hoy, de noche, se evita pasar por allí. 

El Palacio fue construído por Il conte Ernesto Patrizio de Castiglionehabía llegado -por segunda vez- a la Argentina a finales de 1898. Era oriundo del Piamonte, Italia. El hecho es que siempre, a Castiglione, se lo asoció a practicas oscuras. Incluso, hay registros policiales de comienzos del siglo XX donde oficiales del orden declaran haber llegado hasta la casa "del mago italiano, ante la solicitud de varios vecinos que afirmaban haber visto una gran figura negra en el jardín".

Desde su arribo a Buenos Aires, Patrizio di Castiglione, se codeó con lo más granado de la sociedad porteña. En noviembre de 1906, en el palacio de la familia Miró, conoció a la joven Amalita Oromí, comprometida en matrimonio con Daniel Requijo. Patrizio, inició un asedio constante de Amalita, que por ese entonces no superaría los 20 años de edad. Era de esas niñas que adoraba la sociedad porteña de comienzos del siglo XX. Alegre, candorosa, lectora de novelas rosadas. 

Era delgada y pálida, de cabello profundamente oscuro, con ojos claros y penetrantes. Claramente se contraponía con el modelo de mujer de la época, robusta y rosagante, ingredientes propios de la buena salud por alquel entonces. Castiglione intentó todo para conquistarla. La joven rechazaba cada avance del noble piamontés. Alhajas, flores, vestidos, nada lograba convencer el espíritu de Amalita Oromí. Harto del hostigamiento y de lo que consideraba una ofensa a su honor, Requijo, en un acto caballaresco, desafió a duelo al propio Fabrizio. 

El lugar elegido para el lance fueron unos terrenos de la costa de Tigre. Daniel Requijo apareció ahogado en las aguas del Río de la Plata. Se supone que iba camino a Tigre, a encontrarse con el Conde. Nunca cayeron sospechas oficiales sobre el mago Castiglione por el hecho. En cambio, muchos hablaron de la "maldición del italiano" y atribuyeron la muerte de Requijo a sus poderes sobrenaturales. 

Libre de Requijo, a los pocos meses, el conde reinició el asedio amoroso sobre Amalia. Así, concertó con su padre, Don Eugenio Oromí, el matrimonio con ella. De nada valieron las resistencias de la joven. Se impuso la fecha de la boda para el 28 de septiembre de 1907. La semana antes de la boda, Amalia Oromí cayó enferma. Nada pudieron hacer los facultativos y el 28 de septiembre, Amalita Oromí murió. 

La prima de la difunta, Virginia Acosta Oromí, acusó abiertamente al conde de Castiglione de tener tratos con el Diablo y ofrecer la vida de Amalia como una suerte de macabro sacrificio. Amalia Oromí, envuelta en un negligée celeste, recibió su cristiana sepultura en la tumba familiar del Cementerio de la Recoleta.

A partir de aquí comienza la historia del Palacio de los Leones. La tradición oral asevera que Patrizio de Castiglione logró revivir a su amada. La misma noche en que Amalita Oromí fue enterrada, il conte Patrizio se presentó en la Recoleta. Invocó a las fuerzas del Espíritu de Luz e hizo que la muchacha abandonara el féretro. (Esta historia no debe confundirse con la de Rufina Cambaceres, otra difunta cuya historia es famosa en la Recoleta). Amalia Oromí era una muerta viva, sin voluntad, sujeta a los designios del conde de Castiglione. Sus ojos claros y penetrantes habían desaparecido. Sólo quedaban dos cuencos blancos, reflejo de la posesión de su alma por el piamontés. Ahora sería su esclava. Aquello que no había podido tener en vida, lo tendría en la muerte. 

La leyenda dice que Amalia fue llevada a vivir por Patrizio al Palacio de los Leones. Era la Zombi Blanca. De noche, solía versela deambular, sin compañía, sin sentido, por el extenso jardín que tenía la propiedad. Incluso, se asomaba a la vereda. En determinadas ocasiones gritaba, aunque algunos afirmaban haber escuchado, también, un lamento profundo, gutural, que venía del interior del Palacio. 

Los padres y hermanos de Amalita, alertados por los rumores, fueron un día hasta el cementerio y abrieron la sepultura. A todos los invadió el horror cuando encontraron el féretro vacío. La historia del Zombi Blanco, se hacía cada vez más palpable... El Conde Castiglione fue detenido. Como no existían pruebas contundentes que Amalita Oromí fuera convertida en un zombi (la policía allanó el Palacio y no encontró nada), se lo acusó de profanador de tumbas y estafador. Esto último por haber prometido falsas jubilaciones mucho antes de que existiera en el país un sistema de retiro, como ya expliqué anteriormente.

Siendo conducido a la Penitenciaría Nacional de la calle Las Heras, Patrizio se esfumó como por arte de encantamiento. Nunca quedó claro cómo escapó. La leyenda afirma, que sus poderes, sirvieron para libertarse de su encarcelamiento. En tanto, el caserón quedó vacío. La figura de la mujer, los gritos, los ruidos y los chistidos siguieron escuchándose por muchos años, por lo menos, hasta que el "Palacio de los Leones" fue demolido. 


Fuente: Eduardo Vidal Hernando para la Bitácora.




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